Transformar Informação em Confiança: A Comunicação de Saúde nas Redes Sociais
- 31 outubro 2025, sexta-feira
- Gestão

FOTO JAKOB OWENS/ UNSPLASH
De entre as diversas formas de desfrutar de um sábado de sol, passar umas horas em frente ao mar pode ser uma das mais agradáveis. No entanto, nada tem de original, milhares de pessoas o fizeram no passado fim de semana. Mas se for em frente ao mar, numa sala decorada ao mais puro estilo das ilhas do Mar de Bali, de uma escola com espaços de co-work surpreendentes, a falar sobre redes sociais para profissionais de saúde, isso é original.
Que interesse poderá ter o tema das redes sociais para profissionais de saúde, que leve um grupo de médicos, enfermeiros, farmacêuticos, administradores hospitalares e profissionais da comunicação a abdicar de tantas opções oferecidas por um fim de semana de sol? Acreditem, o tema é do maior interesse e de enorme atualidade e é dessa experiência que nasce este artigo.
Diariamente, milhares de portugueses procuram, online, informação de saúde e, no entanto, pelo menos um terço dessas pesquisas não verificam a credibilidade das fontes. Confiam cada vez mais em influenciadores, na inteligência artificial (IA) e nos resultados de pesquisas em motores de busca.
Os cidadãos estão a tornar-se arquitetos da própria saúde, mas nem sempre os projetos têm qualidade.
Este parece ser um contexto altamente adverso e até hostil, para profissionais de saúde utilizarem as redes sociais para educar, influenciar e gerir a sua imagem com responsabilidade. E, todavia, é num ambiente onde a informação circula à velocidade de um clique, que os profissionais de saúde podem encontrar uma oportunidade estratégica para fortalecer a sua autoridade, divulgar conhecimento científico e aproximar-se do público. Mas esta presença digital exige mais do que vontade de comunicar. Requer visão crítica e criativa, requer método e ética.
Procuraremos abordar, de forma sucinta, como os profissionais de saúde podem — e devem — utilizar as redes sociais de forma eficaz e responsável, destacando três pilares essenciais: criação de conteúdo relevante e ético, divulgação científica acessível e gestão de crises e reputação online
Conteúdo com Propósito: Relevância e Ética na Comunicação Digital
A construção de uma presença digital sólida começa com a produção de conteúdo de valor. No setor da saúde, isto implica responsabilidade redobrada. O profissional não é apenas um emissor de informação, mas uma referência técnica, uma autoridade com impacto direto na literacia em saúde da população.
Daí que seja da maior importância seguir boas práticas na criação de conteúdos, com clareza e acessibilidade, utilizando linguagem simples sem perder o rigor técnico.
Uma campanha no início do verão com o objetivo de alertar para os malefícios do sol em excesso e para a necessidade de autoproteção não deve utilizar uma linguagem hermética, incompreensível para uma grande parte dos seus potenciais destinatários.
O recurso a uma frase do género “A radiação ultravioleta induz mutações no DNA das células epidérmicas, promovendo a carcinogénese cutânea” é algo que deve ser evitado, não apenas pela utilização de um jargão técnico de difícil compreensão, mas também porque lhe falta um propósito, uma recomendação, uma call-to-action, sem a qual o recurso às redes sociais para passar uma mensagem resulta ineficaz.
Se, em lugar daquela mensagem se utilizar uma linguagem mais simples como por exemplo, “Estar muito tempo ao sol sem proteção pode danificar as células da pele e causar cancro. Usa protetor solar, chapéu e evita as horas de maior calor — a tua pele vai agradecer”, a eficácia da mensagem aumenta de forma exponencial.
Dependendo de qual seja o público-alvo, é mesmo possível arriscar uma abordagem mais ousada, utilizando o humor. Algo do género "O sol é aquele amigo tóxico que te dá festinhas hoje e cancros amanhã. Bronzeado é bonito, sim, mas estar vivo também tem a sua graça. Põe protetor, faz sombra com estilo e não asses como frango no churrasco" pode ser interessante e eficaz, mas tem um risco elevado se não se dirigir ao público certo ou for utilizada a rede social errada.
Além da clareza e da acessibilidade, é muito importante a relevância do conteúdo, isto é, o seu alinhamento com dúvidas frequentes da população, tais como campanhas de vacinação ou avanços científicos recentes.
No plano ético e do sigilo profissional, deve ser evitada a exposição indevida de casos clínicos, deve respeitar-se a confidencialidade e seguir os códigos deontológicos da profissão.
Consistência e identidade são da maior relevância para a construção de uma marca pessoal ou institucional sólida. Para isso é crucial manter coerência visual, no tom de voz e na frequência de publicação. (...)
Administrador Hospitalar
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