Serviço de gestão de instalações e equipamentos em ambiente hospitalar: o caso da ULS Arrábida
- 20 abril 2026, segunda-feira
- Gestão

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A crescente complexidade tecnológica das unidades hospitalares exige modelos de gestão de instalações e equipamentos cada vez mais estruturados, eficientes e alinhados com os objetivos assistenciais e financeiros. O presente artigo, de natureza técnico-profissional, tem como objetivo caracterizar a Unidade Local de Saúde da Arrábida, EPE, (ULSA) e analisar o papel do Serviço de Instalações e Equipamentos (SIE) enquanto estrutura crítica de suporte à atividade clínica.
São abordados o perfil funcional do hospital, os consumos energéticos, o enquadramento no Contrato-Programa do Serviço Nacional de Saúde, a organização do SIE, os custos de manutenção, os indicadores de desempenho e os desafios futuros. O artigo pretende contribuir para a partilha de boas práticas na área da engenharia hospitalar e da gestão técnica de infraestruturas, em linha com o público-alvo da revista TecnoHospital.
Os hospitais modernos são infraestruturas críticas de elevada intensidade tecnológica, com funcionamento contínuo e forte dependência da fiabilidade dos seus sistemas técnicos e equipamentos médicos. Neste contexto, os Serviços de Instalações e Equipamentos assumem um papel estratégico, assegurando a disponibilidade operacional, a segurança dos doentes e profissionais e a sustentabilidade económica das organizações de saúde. A revista TecnoHospital tem sido um fórum privilegiado para a divulgação de experiências práticas e soluções técnicas neste domínio. O presente artigo apresenta e indica a ULS Arrábida como exemplo de organização e evolução de um serviço técnico hospitalar.
Enquadramento da ULS Arrábida
Organização e perfil funcional
A ULS Arrábida integra o Hospital de São Bernardo (HSB), o Hospital Ortopédico de Sant’Iago do Outão (HOSO) e a Unidade de Transição de Psiquiatria (UTP), assegurando cuidados hospitalares diferenciados e apoio a 23 unidades de cuidados de saúde primários nos concelhos de Setúbal, Palmela e Sesimbra. O seu perfil funcional inclui atividade médica e cirúrgica, urgência médico-cirúrgica, cuidados intensivos e intermédios, ambulatório, diagnóstico e terapêutica, Via verde AVC.
Capacidade instalada e áreas críticas
A capacidade instalada é na ordem das 410 camas de internamento (HSB e HOSO), incluindo unidades de cuidados intensivos e intermédios. O HSB dispõe de seis salas cirúrgicas de Bloco Operatório, e uma de Bloco de Partos classificadas como (Classe A/ ISO 5), o HOSO dispõe de três salas cirúrgicas de Bloco Operatório, classificadas (Classe B/ ISO 7). As salas em causa são apoiadas por unidade de cuidados pós-anestésicos (UCPA), cirurgia ambulatória e áreas técnicas especializadas, constituindo um dos principais polos de exigência técnica em termos de manutenção.
Infraestruturas técnicas e consumos
O complexo hospitalar ocupa uma área coberta de grande dimensão, com edifícios de diferentes épocas e níveis de modernização. No HSB a área coberta é de 40.500 m2, no HOSO de 20.950m2, UTP de 2.670 m2, e nos CSP (Centros de Saúde Primários) é de 14.500 m2. Os consumos médios anuais situam-se de forma indicativa, entre 6 e 7 GW/h (Energia elétrica) e 90.000 m³ a 100.000 m³ de água. A implementação de projetos de eficiência energética financiados por programas comunitários permitiu uma melhoria significativa do desempenho energético global, refletida na melhoria da classificação do certificado energético.
Modelo de financiamento
À semelhança das restantes unidades do SNS, o financiamento do hospital é assegurado maioritariamente através do Contrato-Programa com o Ministério da Saúde, que define níveis de produção assistencial, objetivos de desempenho e dotação orçamental. Este enquadramento condiciona diretamente as opções de investimento, manutenção e renovação tecnológica. (...)
Autor Mário Oliveira, Engenheiro Mecânico
Diretor do SIE da ULS Arrábida
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