Interoperabilidade e segurança na cadeia de valor da saúde

  • 19 fevereiro 2026, quinta-feira
  • Gestão

A GS1 Portugal reuniu especialistas do setor da saúde para alinhar prioridades na identificação, partilha e uso de informação ao longo da cadeia de valor, tendo em vista a segurança dos doentes

Num contexto de pressão sobre os custos, exigência crescente dos serviços e aceleração da transição digital, a GS1 Portugal reuniu vários intervenientes da indústria e da logística para discutir como é que a normalização e a qualidade dos dados podem melhorar a eficiência operacional, reduzir ruturas e reforçar a segurança do doente.

A Visão 2030 da GS1, resumida em comunicado, assenta em assegurar dados de confiança e acelerar a colaboração e a interoperabilidade dentro e entre setores, através de standards comuns que permitam identificar, capturar e partilhar informação de forma consistente. No setor da saúde, esta visão traduz-se, como explicou Pedro Oliveira Lima, Consultor de Estratégia da GS1 Portugal, em mais segurança do doente e melhores resultados clínicos, com menos erros de medicação, rastreabilidade ponta-a-ponta (do fabricante ao doente), melhor gestão de lotes e prazos de validade, combate à contrafação e ao mercado ilícito e ganhos de eficiência em toda a cadeia logística e na integração entre gestão hospitalar e sistemas clínicos.

Glen Hodgson, Vice-Presidente de Healthcare da GS1 Global Office, alertou a inconsistência e fragmentação associada à recolha e gestão da informação de forma manual, contribuindo para o aumento do risco e diminuição da capacidade de resposta. Num contexto de aceleração e massificação da digitalização, sublinhou que a segurança depende da adoção de standards comuns. Nesse âmbito, destacou a convergência para o princípio “um produto, um código”, suportado pelo GS1 DataMatrix, como elemento-chave para reforçar a rastreabilidade, reduzir o desperdício e dificultar a circulação de medicamentos falsificados.

As vantagens que provêm de um código único, clarificou Raquel Abrantes, Diretora de Qualidade e Standards da GS1 Portugal, são a simplificação da leitura e dos processos e a maior eficiência e interoperabilidade entre sistemas ao longo da cadeia. Por exemplo, em ambiente hospitalar permite reduzir redundâncias e assegurar a continuidade da informação. Esta evolução viabiliza o acesso direto a conteúdos digitais associados ao produto, como a bula digital e instruções de utilização, reforçado pela parceria da GS1 com a Google, que permite ler códigos GS1 Data Matrix através do Google Lens, facilitando o acesso a informação fidedigna sobre o produto aos doentes, cuidadores e profissionais de saúde.

A partir deste enquadramento, a mesa-redonda, moderada por Bárbara Fraga, da LOGISTEMA, trouxe para o centro do debate o impacto da imprevisibilidade na cadeia de abastecimento da saúde, desde a previsão da procura à gestão de ruturas. Segundo o comunicado da GS1, o foco da sua intervenção foi a imprevisibilidade e a dificuldade de planear em cadeia sem dados consistentes. Segundo Manuel Pizarro, CEO da ZOR THERMAL, a resposta passa por assegurar interoperabilidade entre sistemas e procedimentos. Melhorar a clareza da comunicação entre intervenientes, sustentando decisões com informação de base e com maior monitorização da operação, através de sensorização de rotas, para evitar redundâncias e perda de valor. Esta necessidade de previsibilidade foi reforçada por Vitória Nunes, Diretora da Unidade de Negócios da ID Logistics Portugal, ao sublinhar que, num contexto de incerteza e fatores externos, prever a procura é uma das maiores pressões.

Tiago Seguro, Global Head of Pharma da Rangel Logistics Solutions, trouxe o foco para a informação no timing certo como condição para dimensionar recursos e estabilizar a operação, distinguindo ainda que muitas ruturas prolongadas têm origem a montante, em fatores produtivos e escassez de matérias-primas, dando especial atenção ao desafio do abastecimento às ilhas, que exigem organização redobrada. Para encerrar o raciocínio, Gonçalo Nolasco, Diretor Comercial da Alloga Logifarma, enquadrou estas dificuldades também como uma mudança cultural, defendendo processos mais standardizados e integrados e a necessidade de tornar mensuráveis os ganhos e as perdas da falta de normalização, para acelerar a adoção de standards e reforçar a eficiência e previsibilidade de toda a cadeia.

Na conclusão do debate, os quatro participantes alinharam uma prioridade comum: a cadeia só deixa de ser reativa quando transforma informação em planeamento, o que exige dados consistentes, partilha estruturada e colaboração ao longo de diferentes níveis. Nesse sentido, Manuel Pizarro defendeu a importância de uma estratégia comum construída passo a passo, Vitória Nunes sublinhou a centralidade dos dados para previsão e planeamento, Tiago Seguro reforçou que a informação é o recurso crítico da operação e que pequenas melhorias no seu timing e qualidade geram ganhos significativos, e Gonçalo Nolasco destacou a necessidade de colaboração padronizada e evolutiva como base para eficiência sustentável.

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