Comissão Europeia acelera inovação na tecnologia médica e biotecnologia

FOTO GERALT/ PIXABAY

João Guilherme Oliveira

A Comissão Europeia iniciou um programa com a duração de quatro anos destinado a integrar a tecnologia médica e a biotecnologia, com o objetivo de acelerar a passagem de inovações da fase de investigação para a aplicação clínica e a comercialização. A iniciativa, designada por Acelerador Europeu de Med-Biotech, integra-se na Ferramenta de Coordenação da Competitividade da União Europeia.

O programa surge em resposta a dificuldades identificadas na transição entre o desenvolvimento tecnológico e a obtenção de produtos validados e escaláveis. Segundo dados da Comissão Europeia, o setor da tecnologia médica na Europa registou um volume de negócios de 170 mil milhões de euros em 2024, empregando mais de 900 000 trabalhadores, com um crescimento aproximado de 60 % desde 2014. A biotecnologia apresenta igualmente uma taxa de crescimento superior à média da economia europeia. Contudo, o executivo comunitário assinala que a capacidade de transformar conhecimento e infraestruturas existentes em produtos prontos para o mercado continua a ser insuficiente.

Conetividade de infraestruturas

O eixo central da iniciativa consiste em articular as infraestruturas e competências já existentes, incluindo clusters de biotecnologia, polos de inovação, pequenas e médias empresas (PME) de tecnologia médica, instituições de investigação pré-clínica e centros de transição para a aplicação clínica.

No âmbito deste programa, serão apoiados e validados dois projetos específicos nos domínios da oncologia e das doenças cardiovasculares, com o intuito de os orientar desde fases avançadas de investigação até à validação industrial. A Comissão Europeia aponta como potenciais áreas de aplicação diagnósticos de precisão baseados em análises sanguíneas ou remendos cardíacos biológicos, sublinhando que se tratam de exemplos teóricos e não de produtos pré-selecionados.

Cronograma e enquadramento estratégico

A execução do programa estende-se até 2029, estruturando-se do seguinte modo:

  • 2026: Identificação e articulação entre as partes interessadas.
  • 2027: Instalação do projeto-piloto e organização do acesso às infraestruturas.
  • 2028: Validação industrial e realização de ensaios clínicos.
  • 2029: Foco em estratégias comerciais e preparação para a aplicação clínica.

A iniciativa pretende constituir uma rede europeia de longo prazo para apoiar futuros criadores de tecnologia médica e biotecnologia. O projeto articula-se com outras medidas europeias, complementando as ambições de investimento previstas na proposta da Lei Europeia de Biotecnologia e iniciativas do Grupo do Banco Europeu de Investimento, como o BioTechEU, destinado a mobilizar 10 mil milhões de euros para o setor entre 2026 e 2027.

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