Eficiência energética em ambiente hospitalar

FOTO SOMCHAI_STOCK/ SHUTTERSROCK

Os hospitais encontram-se entre os edifícios de maior complexidade técnica e intensidade energética. Funcionam de forma contínua, integram instalações e equipamentos altamente especializados e estão sujeitos a requisitos particularmente exigentes de segurança, fiabilidade, conforto e qualidade do ambiente interior. Neste contexto, falar de eficiência energética significa necessariamente falar também de engenharia, manutenção, gestão, tecnologia e, acima de tudo, continuidade da prestação de cuidados de saúde.

A transição energética e os compromissos de descarbonização acrescentam hoje uma nova dimensão a este desafio. No Serviço Nacional de Saúde, o programa ECO@SAÚDE traduz estes objetivos em metas concretas de redução do consumo de energia primária, incorporação de energias renováveis e renovação do edificado, num percurso em que os resultados já alcançados demonstram progressos, mas também a necessidade de acelerar a transformação das infraestruturas hospitalares.

Mas a eficiência energética concretiza-se, em última análise, nas instalações e na forma como estas são concebidas, exploradas e mantidas. A modernização da Central Térmica do Hospital de Santa Maria constitui um exemplo da aplicação integrada de soluções de produção térmica, recuperação de energia, energia solar e Gestão Técnica Centralizada, conciliando eficiência com a exigência fundamental de manter o hospital em funcionamento.

Noutra perspetiva, a experiência do Hospital CUF Tejo evidencia a importância de considerar todo o ciclo de vida do edifício e aponta para a crescente integração entre BIM, SACE, sistemas de monitorização e Digital Twins como suporte a uma exploração mais eficiente e informada, hoje e no futuro.

A gestão da energia entra também numa nova etapa com os sistemas de armazenamento. A sua integração com a produção local permite não apenas otimizar consumos e custos, mas igualmente reforçar a segurança de abastecimento e a resiliência das unidades hospitalares, dimensão particularmente relevante em instalações onde a continuidade de serviço é crítica.

Finalmente, tecnologia e investimento só produzem resultados sustentáveis quando acompanhados por dados, manutenção, indicadores e capacidade de decisão. Medir, verificar e conhecer o comportamento das instalações torna-se, assim, parte integrante da própria eficiência energética.

É neste cruzamento entre política energética, engenharia, tecnologia, gestão e resiliência que se situa o presente dossier da revista Tecnohospital. Cinco contributos, com abordagens distintas, mas complementares, que procuram refletir sobre um desafio comum: como tornar os hospitais energeticamente mais eficientes e sustentáveis, preservando aquilo que nunca pode ser comprometido — a segurança, a fiabilidade das instalações e a continuidade dos cuidados de saúde.

Artigo publicado na TecnoHospital nº 136, julho/ agosto 2026 dedicado ao tema "Eficiência energética em ambiente hospitalar"

Luís Marques

Chefe de Redação Adjunto

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