Iniciativa europeia para reforçar preparação para ameaças sanitárias

FOTO FERNANDOZHIMINAICELA/ PIXABAY
A Comissão Europeia adotou a Iniciativa Global de Resiliência em Saúde, uma estratégia que procura posicionar a UE como um ator fiável e de primeira linha na saúde global, reforçando a prevenção, a preparação e a resposta globais a futuras ameaças sanitárias, além de abordar lacunas de resiliência nos sistemas de saúde
A iniciativa estabelece o quadro estratégico para a futura ação da UE, permitindo que a Europa responda mais rapidamente a ameaças e crises sanitárias num mundo interligado, com base num sistema multilateral sólido e na cooperação com parceiros.
A Iniciativa Global de Resiliência em Saúde apresenta cinco áreas prioritárias:
- Promover uma arquitetura global de saúde mais eficaz e menos fragmentada, enfrentando desafios como as lacunas de financiamento. Um maior nível de coordenação dentro da UE em matéria de saúde global será um foco central, e a UE promete, em comunicado, continuar “a honrar o seu compromisso de longa data com a agenda global de saúde, contribuindo para esforços conjuntos”.
- Apoiar sistemas de saúde resilientes e liderados pelos próprios países, tendo em conta que países capazes de financiar, gerir e prestar os seus próprios serviços essenciais de saúde estão preparados para responder a crises, proteger as suas populações e manter a continuidade dos cuidados durante situações de choque. A UE apoiará, por isso, a transição dos países parceiros para a soberania em saúde através de investimentos concretos e da partilha de conhecimentos especializados, com especial enfoque nos cuidados de saúde primários.
- Reforçar a prevenção, preparação e resposta a ameaças e crises sanitárias globais ao nível internacional. A UE reforçará as redes globais para melhorar a deteção, preparação e resposta a ameaças epidémicas, e procurará fortalecer a sua capacidade de resposta a crises, garantindo uma maior disponibilidade de contramedidas médicas — incluindo terapêuticas, vacinas e diagnósticos. A UE apoiará igualmente um mecanismo global de monitorização da saúde e da resiliência para mapear os gastos globais em saúde.
- Diversificar as cadeias globais de abastecimento e a produção de produtos de saúde essenciais. A UE apoiará a diversificação das cadeias globais de abastecimento, o desenvolvimento de produtos de saúde essenciais e a cooperação internacional na troca de conhecimentos relacionados com contramedidas médicas e capacidades de resposta rápida. A UE acelerará igualmente a implementação dos seus instrumentos de investimento (como a Iniciativa Team Europe para a produção e acesso a vacinas, medicamentos e tecnologias da saúde — MAV+) e procurará cooperar com o setor privado para apoiar investimentos em países parceiros.
- Reforçar a resiliência social através da promoção da confiança na ciência e do combate à desinformação e informação enganosa em saúde, garantindo que a formulação de políticas globais de saúde continue ancorada em evidência científica e cooperação. Concretamente, a iniciativa ajudará a melhorar o acesso a dados científicos fiáveis, reforçar a cooperação com países parceiros na comunicação em saúde pública e apoiar esforços para combater informações falsas e enganosas sobre saúde.
Para transformar estas prioridades em ações concretas, a Iniciativa Global de Resiliência em Saúde inclui nove medidas emblemáticas aos níveis nacional, regional e global, com o objetivo de reforçar a preparação, melhorar a coordenação e construir sistemas resilientes em todo o mundo. A sua implementação terá início entre 2026 e 2027.
Esta iniciativa baseia-se na União Europeia da Saúde, na Estratégia da União para a Preparação, na Estratégia Global de Saúde da UE e nos investimentos da Global Gateway em países parceiros.
Através da Global Gateway e da abordagem Team Europe, complementadas pela Estratégia da União para a Preparação, a UE mobiliza instrumentos de financiamento inovadores e reúne recursos públicos e privados para ajudar os parceiros a colmatar lacunas de investimento em áreas de interesse mútuo, reforçando a capacidade de antecipar, prevenir, detetar e responder a ameaças sanitárias transfronteiriças.
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