Entrevista a António Tavares
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- 28 setembro 2026, segunda-feira
- Gestão

Entrevista conduzida por Durão Carvalho, João Guilherme Oliveira, Luís Marques e José Torres Farinha | Fotografia DR
António Tavares é Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, docente universitário na área da ciência política, relações internacionais e direito, e figura de relevante intervenção cívica. À frente de uma instituição centenária de referência na saúde, que inclui o Hospital da Prelada e o Centro Hospitalar Conde de Ferreira, o entrevistado partilha uma reflexão estratégica sobre a gestão e o futuro do setor social e hospitalar em Portugal. Para além da sua trajetória pessoal e académica, esta conversa aborda temas fulcrais para a engenharia e gestão de infraestruturas críticas: a transição digital, a implementação de robótica inteligente em ambiente cirúrgico e logístico, e a sustentabilidade multidimensional das instituições sem fins lucrativos. Em plano de destaque está também a resiliência operacional face a ciberataques, pandemias e falhas energéticas, enfatizando a relação simbiótica entre a prática clínica e a engenharia hospitalar. Convidamos os nossos leitores a acompanhar esta reflexão abrangente, onde a tradição histórica e a modernidade tecnológica se cruzam para traçar o rumo de uma engenharia de saúde ao serviço da comunidade.
Pode falar do seu percurso académico e profissional?
Muito bem. Fazer um resumo absoluto da minha trajetória seria talvez um pouco extenso, mas posso enquadrar os pontos essenciais. No plano social e de ligação ao setor da saúde, desempenho atualmente o papel de Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, uma instituição com presença na área da saúde desde o século XV até ao século XXI. Ao longo da sua história, geriu vários hospitais e realidades, estando hoje concentrada em dois grandes equipamentos: o Hospital da Prelada e o Centro Hospitalar Conde de Ferreira. Além disso, gerimos até há bem pouco tempo o Centro de Reabilitação do Norte e mantemos a propriedade do imóvel do Hospital de Santo António. No plano profissional, sou professor universitário na área da ciência política, relações internacionais e direito, desenvolvendo a minha atividade na Universidade Lusófona - Centro Universitário do Porto, onde leciono e assumo responsabilidades de investigação no Centro de Investigação em Estudos Avançados em Direito. No âmbito da intervenção cívica, assumo há dois anos a presidência da Mesa da Assembleia Geral do Futebol Clube do Porto, participando ativamente na dinamização do desporto profissional, de modalidades amadoras e do desporto adaptado. Participo também em diversas instituições e associações da cidade do Porto e exerço a presidência da Mesa da Assembleia Geral do Banco Montepio. É, portanto, um perfil dividido entre a atividade académica/ profissional e uma forte dedicação cívica e comunitária.
Está à frente da Santa Casa da Misericórdia do Porto há mais de uma década. Qual considera ser o principal legado deste seu percurso ao longo destes anos, que desafios encontrou quando assumiu a liderança e quais persistem hoje?
Diria que o primeiro grande desafio é inevitavelmente o da inovação. Vivemos um ciclo de inovação muito mais agressivo e veloz. Uma instituição com 527 anos de história, para chegar até hoje, teve necessariamente de inovar e adaptar-se em múltiplos momentos históricos. O nosso grande desígnio é o combate à pobreza, nomeadamente a infantil, ao qual se juntou a transição demográfica e o envelhecimento da população. As pessoas têm hoje maior esperança de vida, mas necessitam de qualidade de vida nesses anos acrescidos. Olhando para os desafios do Estado Social, desde o seu financiamento ao esforço de parceria entre o Estado e os vários agentes sociais, enfrentamos um caminho complexo. A isto somam-se novos desafios emergentes, como
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