Entrevista a José Torres Farinha

  • 09 março 2026, segunda-feira
  • Gestão

Entrevista por Durão Carvalho e Cátia Vilaça
Fotografia: D.R.

Com uma vida profissional dividida entre os hospitais e a academia, José Torres Farinha apresenta uma visão dos desafios que se colocam às duas áreas, instando os engenheiros da área hospitalar a prosseguir as suas qualificações académicas.

Dê-nos uma visão acerca do seu perfil pessoal, profissional e académico. 

Apesar de ter trabalhado na EDP, posso dizer que a minha escola foi o SUCH, onde trabalhei na área da manutenção, e me marcou para a vida toda. Saí porque queria aprender mais. Academicamente, vim de uma licenciatura de cinco anos em Engenharia Eletrotécnica, tendo trabalhado na área dos grupos eletrogéneos e elevadores. Também trabalhei em alguns equipamentos médicos - na altura o engenheiro era multipurpose, tinha uma abrangência que não tem hoje, agora a função está muito mais verticalizada. Ao fim de uns anos, acabei por fazer doutoramento na Faculdade de Engenharia do Porto. Muitos anos depois, fiz agregação na Universidade da Beira Interior, à qual me liguei por causa das últimas orientações de doutoramento. Também fiz orientações de doutoramento no Técnico, na Universidade de Coimbra e na Universidade do Porto. 

Entretanto, pelo percurso, fui deixando algum legado. O meu primeiro livro foi sobre manutenção das instalações e equipamentos hospitalares, em 1994. Depois de um interregno de muitos anos, voltei a publicar em português outro livro, “Manutenção - a terologia e as novas ferramentas de gestão”.

A partir daí, deixei de publicar em português. Passei a publicar só com a Taylor & Francis, nos Estados Unidos. E, neste momento, já lá vão três livros. O último saiu em outubro de 2025, novamente sobre hospitais.

Portanto, os hospitais “entranharam-se” em 1984, o primeiro livro saiu em 1994, e em 2026 ainda não desentranharam. Entretanto, tem havido coisas fantásticas na carreira. Também tem havido vários percalços, mas do ponto de vista de aprendizagem, tem sido altamente enriquecedor. Tem mostrado a minha insignificância no mundo do conhecimento, que é, possivelmente, a melhor coisa que se pode ter na vida. Como se fosse um eterno júnior praticante de engenharia.

Entretanto, obviamente, todos estes anos levaram-me a outras áreas altamente enriquecedoras, como a indústria, com ênfase na celulose. Tem sido uma grande escola, porque nos tem dado margem de manobra para implementar as soluções de state-of-the-art de manutenção preditiva.

Estamos em áreas estratégicas no país. Tais como a ferrovia. Somos, através do centro de investigação que criei com a minha equipa, o RCM2+ [centro de investigação associado ao Instituto Superior de Engenharia de Coimbra], parceiros estratégicos do Centro de Competências Ferroviárias, e temos uma parceria muito estreita com o Estado Maior da Força Aérea. Temos lá dois doutoramentos a decorrer focados num avião de vigilância marítima.

Que comparação é que pode fazer, nesta altura, entre a saúde e a indústria, por exemplo, ao nível da implementação de soluções como a manutenção preditiva?

Não há comparação possível, a indústria está muito mais avançada. 

Mas isso tem a ver com uma questão orçamental e com disponibilidade financeira da parte de quem gere os hospitais e de quem gere a indústria? 

Eu recuso-me a cingir as questões ao ponto de vista do dinheiro. Fui gestor público durante quase 11 anos e não há uma afirmação minha na comunicação social a falar sobre problemas de dinheiro. Tem a ver, do meu ponto de vista, com a visão estratégica. Em todo lado há dinheiro bem gerido e mal gerido. É verdade que nem toda a indústria é state-of-the-art, mas enquanto aqui nos dão essa liberdade, na área da Saúde, às vezes parece que estamos a falar de algo surreal. (...)

Leia a entrevista completa na TecnoHospital nº 133, janeiro/ fevereiro de 2026 dedicada ao tema "O SIE como pilar do funcionamento hospitalar"

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