Integração multidisciplinar e avaliação estruturada do risco na conceção de infraestruturas de saúde: impacto na prevenção e controlo de infeções

DR

As IACS constituem um desafio global, responsável por morbilidade, mortalidade e custos significativos para os sistemas de saúde. Organizações como a World Health Organization (WHO) e o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) reconhecem que o ambiente físico tem um papel determinante na transmissão de agentes patogénicos, nomeadamente através da qualidade do ar, superfícies, sistemas de água e fluxos funcionais.

A literatura em “Evidence-Based Design” demonstra que o ambiente construído influencia diretamente práticas clínicas, adesão à higiene das mãos, ocorrência de surtos e eficiência operacional. Assim, a prevenção e controlo de infeções (PCI) deve ser incorporada desde a fase conceptual de qualquer projeto de construção ou renovação, numa abordagem que articule engenharia, arquitetura, clínica e gestão de risco.

Neste contexto, as equipas multidisciplinares e as ferramentas estruturadas de avaliação de risco, como o Infection Control Risk Assessment (ICRA) e o Safety Risk Assessment (SRA), tornaram-se instrumentos essenciais para garantir ambientes hospitalares seguros, resilientes e alinhados com normas internacionais.

Métodos

Foi realizada uma revisão narrativa da literatura, recorrendo a fontes primárias e secundárias de organismos internacionais (WHO, CDC, Facility Guidelines Institute [FGI], The Center for Health Design [CHD]), complementada por artigos indexados sobre controlo ambiental, arquitetura hospitalar e governação multidisciplinar da segurança. A análise centrou-se em:

  • impacto do ambiente físico na PCI;

  • benefícios de equipas multidisciplinares em projetos estruturais;

  • eficácia das ferramentas ICRA e SRA;

  • modelos internacionais de requisitos mínimos (FGI, CDC).

A revisão seguiu um modelo conceptual, adequado para síntese de temas emergentes em saúde organizacional.

Resultados

O ambiente físico como determinante da PCI

A estrutura física influência três vias críticas de transmissão:

  • aérea: ventilação inadequada e pressões incorretas aumentam risco de transmissão de Aspergillus spp., vírus e tuberculose;

  • contacto: superfícies porosas ou danificadas aumentam sobrevivência de MRSA, VRE e C. difficile;

  • hídrica: sistemas de água colonizados contribuem para surtos de Legionella e P. aeruginosa.

A seleção de materiais contínuos, não porosos e quimicamente compatíveis com os agentes de desinfeção utilizados em contexto clínico reduz significativamente a carga microbiana ambiental e otimiza a eficácia dos procedimentos de limpeza e desinfeção. (...)

Autor: Celínia Antunes
Presidente da direção da Associação Portuguesa de Infeção Hospitalar
Enfermeira Gestora - SPCIRA - ULS de Coimbra
Especialista em enfermagem médico-cirúrgica

Leia o artigo completo na TecnoHospital nº 132, novembro/ dezembro de 2025

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