A Engenharia Clínica no grupo Lusíadas Saúde
- 06 abril 2026, segunda-feira
- Gestão

DR
Em 2020, assumi funções na Lusíadas Saúde como Diretora do Serviço de Manutenção e Engenharia Clínica, com o objetivo de potenciar e desenvolver a área da Engenharia Clínica, através da criação de equipas técnicas especializadas na manutenção de equipamentos médicos.
A reestruturação da equipa permitiu reforçar competências internas essenciais à gestão, planeamento e execução da manutenção dos equipamentos, recorrendo a meios próprios sempre que possível e assegurando, quando necessário, contratos externos ajustados à especificidade, tipologia e criticidade dos equipamentos médicos intervencionados.
Atualmente, a Direção de Engenharia Clínica atua de forma transversal em todo o grupo, definindo estratégias comuns que são depois calibradas e implementadas de acordo com a realidade e as necessidades de cada unidade, garantindo consistência, eficiência operacional e elevados padrões de segurança.
Desde 2022, estas unidades registaram um crescimento expressivo, em linha com o ambicioso plano estratégico de expansão de norte a sul do país.
Neste contexto, o grupo abriu recentemente os Hospitais Lusíadas Vilamoura, Santa Maria da Feira, Alfragide, Paços de Ferreira, Maia e Campera. Inaugurou também a Clínica Lusíadas Entrecampos, estreou em Portugal o novo conceito de Centro Médico Desportivo Lusíadas Sport e consolidou a rede de medicina dentária e estética.
Hoje, a Lusíadas Saúde conta com 11 hospitais, cinco clínicas e uma rede de cerca de 30 clínicas HeyDoc e MD Clínica, num total de 484 camas, 44 salas cirúrgicas e mais de 135 cadeiras dentárias.
Para assegurar a eficácia deste trabalho, é realizado um processo exaustivo de classificação dos equipamentos médicos, tendo em consideração a respetiva categoria de risco. Sempre que aplicável, são também desenvolvidos procedimentos de manutenção específicos, que incluem verificações qualitativas e quantitativas adequadas a cada equipamento, assegurando o cumprimento dos requisitos técnicos.
A implementação desta abordagem exige não só formação contínua das equipas, como também a aquisição de equipamentos de teste e ensaio, essenciais para validar o desempenho e garantir o correto funcionamento dos dispositivos médicos.
Nas tipologias de equipamentos cuja manutenção é assegurada através de contratos com fornecedores, é realizado um trabalho articulado com a Direção de Procurement, de forma a garantir que as condições negociadas refletem os pressupostos técnicos definidos e os níveis de serviço considerados mais adequados. Estes níveis podem variar em função do tipo de equipamento, do grau de criticidade e do nível de resposta e SLA necessário em cada unidade do grupo.
Por fim, a estratégia de manutenção é continuamente revista e integrada, desde o início, nos processos de aquisição, garantindo que as necessidades de manutenção ficam devidamente previstas e enquadradas nos concursos lançados aquando da compra de novos equipamentos.
A Direção de Engenharia Clínica é composta por uma equipa multidisciplinar, cujas competências se complementam, assegurando um suporte transversal a todas as unidades do Grupo Lusíadas Saúde e promovendo, sempre que necessário, a mobilidade entre equipas para responder de forma ágil às diferentes necessidades operacionais.
Na gestão dos nossos ativos, é determinante garantir um inventário rigoroso e permanentemente atualizado dos equipamentos médicos. Este processo é suportado por planos de renovação estruturados e detalhados, que consideram não só a antiguidade dos equipamentos e os casos de End of Support identificados pelos fornecedores, mas também especificidades obtidas a partir do histórico de avarias, padrões de desempenho e necessidades de renovação tecnológica indispensáveis para assegurar cuidados de saúde com qualidade e segurança.
O processo de aquisição de equipamentos médicos exige, seja por substituição ou por novo investimento, um alinhamento entre várias Direções, nomeadamente Procurement (que lidera o processo), Engenharia Clínica, IT, Sustentabilidade e Produção. Esta articulação é essencial para garantir que, no momento da decisão e contratação, são salvaguardados os requisitos técnicos indispensáveis, as condições de acessibilidade para manutenção, os critérios de sustentabilidade, bem como os requisitos de integração e segurança da informação. Em paralelo, assegura-se que a tecnologia selecionada está alinhada com o Business Plan e com as necessidades específicas de cada unidade.
O sucesso deste modelo depende, igualmente, da existência de uma base de dados centralizada e atualizada de equipamentos. Por esse motivo, sempre que um equipamento dá entrada numa unidade, é registado no Software de Gestão da Manutenção, sendo criada uma ficha de ativo onde ficam reunidas todas as informações associadas ao processo de compra, bem como os principais dados técnicos do equipamento. A partir deste registo, o equipamento é colocado ao serviço e é garantida a formação do utilizador sempre que solicitada. Em simultâneo, é assegurado o correto cadastro e a identificação através de etiqueta, permitindo ao utilizador e às equipas técnicas rastrear a informação de manutenção, bem como o nível de serviço definido para esse equipamento. (...)
Autor: Marta Vasques de Almeida
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