Áreas críticas hospitalares: água e Legionella

D.R

Um artigo sobre Legionella em água é sempre uma circunstância desafiante, pois embora se realizem numerosos eventos ou formações sobre esta bactéria, há factos que tendem a ser esquecidos, o que me leva a partilhar a minha experiência no que diz respeito à comunicação dos resultados, mas também ao significado de cada parâmetro e da informação que cada um aporta à interpretação global.

A emissão de um relatório analítico, que se limite à emissão de resultados num layout gerido por um qualquer programa informático, debitando resultados em listagem e que não cuide da arrumação dos parâmetros em grupos de significância, levam os seus utilizadores a uma leitura muito desenquadrada.

Pela dificuldade de avaliação do global, o utilizador lê o relatório linha a linha e cada parâmetro merece apenas uma comparação do resultado obtido com o seu valor de referência legal, perdendo-se o essencial do conteúdo no que diz respeito à sua interpretação.

O não alinhamento dos parâmetros analisados de uma forma organizada dentro do relatório analítico leva o utilizador a desprezar informações cruzadas úteis, mesmo referentes a parâmetros que ainda respondem dentro dos valores paramétricos legais.

Um relatório deve traduzir não só aquilo que são os requisitos legais ou decorrentes das obrigações da entidade emissora, quando acreditada, mas deve cuidar também a organização do seu conteúdo técnico, permitindo hierarquizar com clareza um desvio ligado quer a um parâmetro característico, quer a outro considerado indesejável ou tóxico, possibilitando assim aos utilizadores do documento adquirir a noção do “todo” da água em estudo, cuja matriz está sempre em equilíbrio dinâmico e onde os factos se interrelacionam.

Na avaliação da presença de Legionella, frequentemente se esquece que esta bactéria natural, sendo ambiental, não é exclusiva de local nenhum, apenas encontra alguma condição propícia para se instalar e para ser “detetada” num determinado ponto, mas nunca existe sozinha.

Obviamente, a avaliação simultânea da sua presença com outros parâmetros operacionais facilita um relativo dimensionamento da contaminação, pois raramente o acontecimento diz respeito exclusivamente ao ponto estudado.

Alguns conceitos gerais

O conceito da Organização Mundial de Saúde (OMS), que transcrevo aqui integralmente e é verdadeiramente a razão deste, artigo refere: “As potenciais consequências para a saúde da contaminação microbiana são tais que o seu controlo deve ser sempre de importância primordial e nunca deve ser comprometido”.

É de senso comum que os maiores riscos microbiológicos estão associados à ingestão de água contaminada onde a matéria fecal (humana ou animal) é a maior fonte de bactérias patogénicas, assim como de vírus, protozoários e helmintos.

A qualidade microbiológica da água varia frequentemente e muito rapidamente numa ampla gama de agentes.

Mesmo em picos de curto prazo na concentração de agentes patogénicos, estes podem aumentar consideravelmente e desencadear surtos de doenças transmitidas pela água.

Além disso, quando é detetada uma contaminação microbiana, muitas pessoas já podem ter sido expostas. Por estas razões, não se pode confiar exclusivamente em testes do produto final, mesmo que avaliados frequentemente, para determinar a segurança microbiológica da água se avaliado apenas um tipo exclusivo de agente.

Um Plano de Prevenção e Controlo de Legionella (PPCL) deve, por princípio, considerar vários outros marcadores, de modo a manter o operador atento a outros sinais para além do acompanhamento da característica que é a razão do plano.

As doenças transmitidas pela água, qualquer que seja o seu modo de propagação, devem ser por todas as vias evitadas, devido à sua capacidade de resultar na infeção simultânea de um grande número de pessoas e, potencialmente ter uma elevada repercussão na comunidade. Embora a ingestão seja uma razão muito importante para precaver as contaminações na água, a ingestão de alimentos, o contacto pessoa-a-pessoa, os aerossóis são outras vias que até podem ter maior significado, como as que resultam da presença de Micobactérias, Cianobactérias, Legionella e outras. (...)

Autor: Isabel Rosas
Licenciada em Ciências Farmacêuticas
Foi, durante 20 anos, diretora técnica do laboratório SAGILAB
e atualmente desempenha funções de
consultoria e formação na Empresa EdFConsulting

Leia o artigo completo na TecnoHospital nº 132, novembro/ dezembro de 2025

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