A logística do medicamento como componente estratégica do sistema de saúde
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João Barranca, presidente da ATEHP
Durante décadas, a logística do medicamento foi vista como uma função secundária, técnica e silenciosa, lembrada apenas quando falhava. Essa invisibilidade é hoje um luxo que não nos podemos permitir. Entre a produção de uma substância ativa e o momento em que o doente toma o seu medicamento existe uma cadeia longa e exigente, da qual dependem a segurança, a eficácia terapêutica e, em última análise, a confiança dos cidadãos no sistema de saúde.
O modelo tradicional assentava numa sequência linear e relativamente previsível: indústria, distribuição grossista, farmácia comunitária ou hospitalar. A partir dos anos 90, a harmonização europeia e as boas práticas de distribuição trouxeram exigências de qualidade, controlo de temperatura e rastreabilidade. A diretiva dos medicamentos falsificados e o sistema de verificação em vigor desde 2019 marcaram outro passo decisivo, ao conferir a cada embalagem uma identidade única. Foi, porém, a pandemia de COVID-19 que expôs, de forma brutal, a fragilidade de cadeias globalizadas e otimizadas para o custo: ruturas, dependência de fornecedores asiáticos e a distribuição de vacinas a temperaturas ultrabaixas demonstraram que a logística é, afinal, um pilar da saúde pública.
O futuro desenha-se em torno de três eixos. O primeiro é a digitalização: rastreabilidade ponta a ponta, sensores que monitorizam a
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