Dimensionamento de Instalações Elétricas em regime IT médico

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As Regras Técnicas das Instalações Elétricas em Baixa Tensão elencam um conjunto de prescrições aplicáveis às instalações elétricas em edifícios de tipo hospitalar e, em particular, aos locais de uso médico, nomeadamente o recurso a sistemas com neutro isolado e ligações equipotenciais, entre outros dispositivos de segurança.
São obrigatórios a limitação da tensão de contacto (medida P3) e o esquema de ligação à terra designado por IT médico (medida P5), com recurso a transformadores de isolamento. Para os quadros de sistemas IT médico devem ser previstos, para além da alimentação principal, sistemas de alimentação ininterrupta (UPS - Uninterruptible Power Supply). A conjugação destes dois elementos impõe desafios especiais para as proteções contra sobreintensidades (sobrecargas e curto-circuitos).
Estrutura das redes de distribuição de energia elétrica
As cargas elétricas de um edifício de tipo hospitalar podem ser divididas em três grupos:
- Grupo 1 - cargas que desempenham um papel essencial na segurança das instalações (e das pessoas que nelas se encontram);
- Grupo 2 - cargas prioritárias que devem permanecer alimentadas, após breve interrupção, por uma fonte alternativa (fonte de socorro) em caso de falha da alimentação;
- Grupo 3 - Outras cargas, não incluídas nos grupos 1 ou 2.
Em condições normais, todas as cargas são alimentadas pela rede normal (rede de distribuição pública). Em caso de falha desta, as cargas dos grupos 2, serão alimentadas por fonte(s) alternativa(s), constituindo-se como uma rede socorrida. As cargas do grupo 1 (segurança) manter-se-ão sempre alimentadas, seja pela rede normal, pela rede socorrida, exceto se, por razões de segurança, estas tenham de ser desligadas. Nesta condição, a alimentação das cargas do grupo 1 será assegurada por fonte(s) específica(s), distinta(s) das anteriores.
Alimentação das instalações em IT médico
Todos os equipamentos médicos de apoio à vida do doente, assim como os circuitos necessários à segurança e regular funcionamento do hospital, devem ser alimentados pelo sector socorrido, o qual deve garantir, de forma automática, a potência necessária num tempo não superior a 15 segundos após falha da alimentação normal. A iluminação operatória “deve ser alimentada por uma fonte de segurança, que entre em funcionamento, automaticamente, num tempo não superior a 0,5 s e que tenha uma autonomia de funcionamento não inferior a 3 h”; no entanto, quando exista uma alimentação de socorro, a autonomia pode ser reduzida para 1 h. Para outros equipamentos, sistemas ou serviços, em que os 15 segundos não sejam aceitáveis, deve recorrer-se a unidades de alimentação ininterrupta, monofásicas ou trifásicas, centralizadas ou locais. As UPS devem ser de conversão dupla ou UPS “online” de conversão delta, com autonomia, a plena carga (soma das potências aparentes dos transformadores de isolamento alimentados) de pelo menos 30 minutos.

Unidade de alimentação ininterrupta (UPS) de conversão dupla
Regime IT médico
O sistema designado por IT médico assegura continuidade de serviço mesmo perante falhas de isolamento, e caracteriza-se pela interligação das massas ao respetivo elétrodo de terra enquanto o ponto neutro do transformador (caso exista), ou uma das fases, poderá ser ligado à terra de serviço por impedância de valor elevado ou ficar completamente isolado da referência.

Regime IT
A impedância referida, quando exista, permite a monitorização das correntes de fuga por sistemas de controlo permanente de isolamento (CPI), limitando-as, no entanto, a valores suficientemente baixos para assegurar a proteção contra contactos indiretos; uma falha de isolamento (1º defeito) entre partes ativas e uma massa não implica a interrupção automática da alimentação do circuito em falha, mas deverá ser sinalizada, para que sejam tomadas medidas corretivas imediatas. Em caso de um segundo defeito, estando o primeiro ativo, a alimentação será interrompida. (...)
Autor Carlos Jorge Coelho Teixeira
Mestre em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores pela
Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto,
Especialista na área de Eletricidade e Energia e Professor Adjunto no
Instituto Superior de Engenharia/Politécnico de Coimbra (ISEC/IPC)
Leia o artigo na TecnoHospital nº 135, maio/ junho de 2026, dedicada ao tema "Planeamento, programação, projeto e construção hospitalar"
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