Digitalização reduz consumo energético nos hospitais

FOTO SCHNEIDER ELECTRIC
João Guilherme Oliveira
Um estudo elaborado pela Schneider Electric em parceria com a consultora imobiliária JLL concluiu que a implementação de sistemas digitais de gestão de energia no setor hospitalar apresenta melhores resultados em termos de eficiência energética e descarbonização do que as obras tradicionais de isolamento térmico.
De acordo com o relatório citado no documento, elaborado pela organização Health Care Without Harm, o setor da saúde é responsável por cerca de 5 % das emissões globais de gases com efeito de estufa, sendo a energia uma das principais despesas operacionais não relacionadas com pessoal. A análise aponta para a existência de um dilema nas infraestruturas hospitalares, que enfrentam a necessidade contínua de funcionamento sem poderem reduzir diretamente os serviços clínicos.
Desempenho do modelo digital
A investigação avaliou nove estratégias de modernização (retrofit) em sete zonas climáticas distintas. Os dados indicam que a integração de controlos digitais — como atualizações aos sistemas de gestão de edifícios (BMS), sensores de presença e de iluminação natural, e monitorização contínua — permite alcançar reduções até 18 % na procura total de energia.
Em termos de retorno do investimento ambiental e financeiro, a análise salienta os seguintes pontos:
- Payback de carbono: A compensação do impacto da pegada de carbono associada à instalação dos sistemas digitais ocorre, na maioria das regiões, em menos de um ano.
- Retorno financeiro: Os investimentos no pacote principal de tecnologias digitais recuperam o capital aplicado num prazo inferior a cinco anos em vários cenários, não ultrapassando os dez anos na totalidade dos casos estudados.
- Variações climáticas: Em regiões com forte necessidade de arrefecimento (como Singapura ou Dubai), os sistemas otimizados reduziram os consumos de refrigeração em cerca de 14 %. Em zonas onde predomina o aquecimento (como Nova Iorque), a redução do consumo de combustível para climatização atingiu os 80 %.
Limitações do isolamento térmico em edifícios de saúde
Ao contrário do que sucede no setor residencial ou comercial genérico, a aplicação de isolamento térmico tradicional em edifícios hospitalares registou um contributo inferior a 1 % na poupança de energia.
O estudo explica que os equipamentos clínicos de diagnóstico, monitorização e computação geram calor interno constante ao longo das 24 horas de operação. A retenção desse calor originada pelo isolamento reforçado pode, em determinadas condições climáticas, aumentar a necessidade de arrefecimento e o consequente consumo de eletricidade.
A análise conclui que a transição energética do setor hospitalar, impulsionada pelo aumento do consumo elétrico decorrente da substituição de combustíveis fósseis, depende primariamente do controlo dinâmico e automatizado dos sistemas existentes, em detrimento de alterações estruturais na envolvente dos edifícios.
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