BIM e SACE, a transformação digital necessária para avançar no impacto energético do Hospital CUF Tejo

D.R

Não sou eu que o digo. Já em 2012, Patrick MacLeamy, fundador e presidente emérito da buildingSMART International - autoridade mundial que promove a transformação digital do ambiente construído através de normalização sobre a metodologia BIM (Building Information Modeling) - alertava para os benefícios desta nova abordagem de gestão do ciclo de vida dos edifícios nas suas três fases principais: 1) Concepção; 2) Construção; 3) Exploração.

Considerando o TCO (Total Cost of Ownership), MacLeamy defendia que por cada 1$ gasto na concepção, 20$ são gastos na sua construção e 60$ são gastos durante os cinquenta anos de vida útil do edifício.

Se por um lado não contesto o rigor científico da teoria apresentada por MacLeamy, por outro também não a defendo como uma verdade absoluta aplicável a todo o tipo de realidade construtiva. O ponto da reflexão não é esse. Diz-me a experiência de mais de quinze anos de atividade profissional como facility manager que o peso dos custos da fase de exploração no TCO são substancialmente superiores aos custos das fases anteriores e serão tanto maiores quanto piores (do ponto de vista holístico) forem as decisões de investimento nos momentos de conceção e construção. Especialmente no domínio da eficiência energética.

O Hospital CUF Tejo foi concebido para prevenir, diagnosticar e tratar as doenças do futuro e está repleto de bons exemplos de soluções construtivas que lhe permitem conseguir óptimos desempenhos energéticos no decorrer da sua operação. Tal deve-se à sua Política de designadamente:

1) Visão Holística na Concepção da arquitetura e especialidades, considerando todas as fases do ciclo de vida: concepção; construção; exploração; demolição/reciclagem.

2) Economia Circular, com investimento em soluções técnicas, equipamentos e materiais duráveis, potenciadores de conservar energia e reduzir a pegada ecológica.

3) Estabilidade Estrutural Elevada de Longo Prazo, através da utilização de materiais nobres (altamente resistentes à corrosão) ou tratamentos superficiais especiais que garantem impermeabilidade e proteção da estrutura contra agentes ambientais corrosivos.

4) Conforto e QAI (Qualidade do Ar Interior) como prioritário para a promoção da qualidade do serviço de saúde, com foco na prevenção da contaminação cruzada por via aérea e na redução das infeções nosocomiais.

5) Edifício NZEB (Near Zero Energy Building), de acordo com a Diretiva 2010/31/UE do Parlamento Europeu e do Conselho.

Para melhor se compreender a dimensão da construção, apresentam-se alguns números sobre a capacidade instalada:

  • Arquitetura: Área bruta de construção com cerca de 60.000 metros quadrados, distribuída por 10 pisos.
  • Serviços principais: Bloco Operatório com dez (10) salas; Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) com catorze (14) camas; Internamento Geral com duzentas e quarenta e três (243) camas; Consultas Externas com cerca de cem (100) consultórios médicos; Imagiologia pesada com quatro (4) Ressonâncias Magnéticas (RM), dois (2) equipamentos de Tomografia Computorizada (TC), dois (2) Raio-X convencionais; Radiologia de Intervenção com dois (2) angiógrafos; um (1) equipamento de Gamma Knife (GK); serviço de Farmácia com dois (2) isoladores de preparação; Central de Gases com produção de ar medicinal, ar industrial, vácuo e exaustão de gases anestésicos; Atendimento Permanente Adulto; Pediatria; Laboratório de Patologia Clínica; Serviço de Hemodiálise; Hospitais de Dia Médico e Oncológico; Medicina Física e Reabilitação; Centro de Simulação, Academia e Auditório com mais de cem (100) lugares; três (3) cozinhas industriais.
  • Potência elétrica: Abastecido por uma rede elétrica com capacidade de 4000 kVA, suportada por grupos eletrogéneos de emergência a gasóleo com 3000 kVA, três redes de energia socorrida em regime IT médico de 280 kVA no total e duas redes socorridas de 250 kVA no total. Ainda dispõe, como fonte renovável, de um sistema solar fotovoltaico composto por 326 unidades, perfazendo uma área total de 533 m2. (...)

Autor Rodrigo Arriaga Sacadura
Gestor de Manutenção do Hospital CUF Tejo e clínicas de proximidade:
CUF Belém, CUF Almada, CUF Imagiologia Pombal, CUF Medicina Dentária Braamcamp,
Residências Domus Vida, CUF Nova SBE.
 
Artigo publicado na TecnoHospital nº 136, julho/ agosto 2026 dedicado ao tema "Eficiência energética em ambiente hospitalar"

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