Associação apela a políticas integradas para doenças crónicas

  • 05 janeiro 2026, segunda-feira
  • Gestão

FOTO ARIVLEONE/ PIXABAY

A Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) reforçou, em dezembro, o apelo a uma ação coordenada para a implementação de políticas de saúde integradas que respondam às doenças crónicas não transmissíveis (DCNT)

Aproveitando o Dia da Cobertura Universal de Saúde, assinalado a 12 de dezembro, a associação alertou que a abordagem fragmentada no tratamento de condições como a diabetes, doenças cardiovasculares e outras doenças crónicas representa “um fardo insustentável” para os cidadãos, os sistemas de saúde e a economia. Para a associação, a ausência de uma visão global compromete a eficácia da prevenção, do diagnóstico e do acompanhamento contínuo, resultando em piores prognósticos de saúde e em custos acrescidos para a sociedade.

A associação encara como positiva a recente declaração política da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre DCNT e saúde mental, bem como o novo plano da Comissão Europeia para a saúde cardiovascular, o “Safe Hearts Plan”, considerando-os sinais inequívocos de que a necessidade de uma abordagem integrada está finalmente a ser reconhecida ao mais alto nível.

O documento da Comissão Europeia refere que, entre 2025 e 2050, a prevalência de doenças cardiovasculares poderá aumentar 90 %. A APDP lembra que este número está intrinsecamente ligado à epidemia da diabetes e da obesidade, que o próprio plano identifica como um desafio com "foco insuficiente na prevenção".

"Viver com diabetes é uma realidade diária que exige mais do que consultas médicas esporádicas, requer um ecossistema de saúde que integre várias especialidades médicas, apoio nutricional, bem-estar psicológico, atividade física e literacia em saúde", afirma José Manuel Boavida, Presidente da APDP, citado em comunicado. "A declaração da ONU e os planos europeus são fundamentais, mas não podem permanecer no papel. É imperativo que se traduzam em financiamento adequado e em políticas concretas que cheguem a quem vive com a doença, como é sublinhado por iniciativas como as da Non Communicable Disease Alliance."

A APDP apela, por isso, ao Governo que lidere pelo exemplo e defenda ativamente junto das instâncias de saúde a rápida implementação e fiscalização destas estratégias, garantindo que a resposta às DCNT seja uma prioridade transversal, refletida em todos os programas de saúde e políticas associadas, para que a Cobertura Universal de Saúde seja uma realidade plena e eficaz para todos. E deixa ainda o desafio: "Pedimos à Comissão Europeia e às autoridades nacionais a garantia de que os protocolos de rastreio e prevenção, as vias de tratamento integrado e o investimento em inovação digital, previstos neste plano, sejam tão consistentes para a gestão da diabetes, como para as doenças cardiovasculares."

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