Assistência digital para prevenir doença cardíaca em mulheres

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Investigadores do instituto Fraunhofer querem melhorar os cuidados pós-tratamento específicos para as mulheres através de um sistema de assistência personalizado, ajudando, assim, a prevenir novas doenças cardíacas
Se uma mulher sofrer um ataque cardíaco ou um AVC, o prognóstico tende a ser pior do que o de um homem, uma vez que as mulheres apresentam um risco de mortalidade mais elevado após doenças cardíacas. Isto acontece, segundo o instituto Fraunhofer, porque as mulheres continuam sub-representadas em ensaios clínicos, os fatores de risco específicos do género ainda não foram suficientemente considerados e as hormonas protetoras deixam de ser produzidas após a menopausa.
“No projeto GenderHeart, estamos a desenvolver um sistema de assistência interativo focado em melhorar a deteção precoce específica do género após um AVC ou ataque cardíaco, melhorando assim também o prognóstico das mulheres”, explica Paula Röttig, engenheira e investigadora na secção de Sensores Biomédicos do Instituto Fraunhofer para Engenharia de Produção e Automação IPA, citada em comunicado.
Para isso, os investigadores estão a criar um processo digital de recolha do historial médico que questiona especificamente os pacientes sobre doenças cardiovasculares. O sistema utiliza a estação digital de recolha TEDIAS, desenvolvida previamente pelos investigadores do Fraunhofer IPA. Neste sistema, que já está a ser testado em estudos clínicos, um avatar conduz a entrevista de historial médico.
O paciente senta-se numa cadeira com biossensores integrados e um monitor à sua frente para a entrevista médica. Um médico digital surge sob a forma de avatar, guiando o paciente através de uma série de perguntas e utilizando sensores incorporados para registar sinais vitais. A pressão arterial é medida automaticamente, a frequência respiratória é monitorizada e é realizado um ECG. O objetivo do TEDIAS é tornar o registo do historial médico mais rápido e simples.
“Neste projeto, estamos a adaptar o nosso historial médico digital para se concentrar em doenças cardíacas”, explica Paula Röttig. “Registamos parâmetros relevantes ainda antes da consulta com o médico, permitindo que o tempo da consulta seja utilizado para abordar as principais questões médicas.”
Este sistema planeado de deteção precoce utiliza um algoritmo baseado em inteligência artificial que permite uma avaliação individual do risco e recomendações terapêuticas para cada paciente. O sistema considera questões como: de que forma o acompanhamento pós-tratamento de doenças cardíacas e o cumprimento dos objetivos terapêuticos diferem entre mulheres e homens? Qual é o papel do estado hormonal individual? Que fatores específicos do género influenciam o sucesso de diferentes terapias?
Além dos sensores já implementados, os investigadores planeiam integrar uma nova ferramenta de análise da fala na cadeira, já que a voz pode fornecer pistas importantes sobre a saúde cardíaca. Um dos parceiros do projeto está, por isso, a desenvolver uma aplicação através da qual os pacientes gravam diariamente a sua voz em casa durante um período de seis meses. A ferramenta deteta irregularidades e alterações atempadamente, e os resultados serão incorporados na avaliação de risco durante os controlos regulares com o TEDIAS.
O projeto GenderHeart será lançado ainda na primavera de 2026 e terá a duração de três anos. Além do Fraunhofer IPA, participam também a Zana Technologies GmbH e o Centro Médico Universitário de Mannheim. A longo prazo, esta estação especializada de recolha deverá ser utilizada nos serviços de urgência, reduzindo a carga de trabalho diária dos hospitais.
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