Tempos difíceis/novos tempos

  • 24 fevereiro 2021, quarta-feira
  • Gestão

Continuamos a viver em tempo de grandes dificuldades e muitas incertezas, mas também de recomendável reflexão diária, aprendendo continuamente a adaptarmo-nos a novas realidades, ansiando por um novo tempo, mais seguro e promissor, quer no âmbito da saúde, como da economia e da melhoria social e ambiental.

Porém, ultrapassada que seja esta fase e provação, novos tempos se seguirão!

É neste contexto que, ao aceitar a passagem de testemunho da Direção da revista TecnoHospital, por parte do seu notável Diretor de sempre, Eng. Fernando Barbosa, assumi da parte da Direção da ATEHP e da editora, também e em consciência, a elevada responsabilidade de, conjuntamente com o Chefe de Redação e demais colegas do Conselho de Redação, levarmos por diante a manutenção deste importante e consolidado projeto editorial, em parceria com a Engenho e Média, do Grupo Publindústria.

Tratando-se de um abrangente projeto coletivo na área da Engenharia, Arquitetura e Gestão da Saúde, dirigido aos seus profissionais, aos associados e à comunidade da saúde em geral, de todos dependerá a sua longevidade e a continuidade do êxito até aqui alcançado.

Entretanto, temos em mãos a TecnoHospital nº103 que nos apresenta um dossiê coordenado pelos nossos Colegas do CR, Engºs Nelson Baltazar e Durão Carvalho, cujo tema, relativo ao projeto e construção de um novo Hospital, já não se abordava há algum, ou seja, um dossiê dedicado ao Novo Hospital Central do Alentejo (NHCA), cujo projeto de arquitetura e processo de aprovação pelo Ministério da Saúde remonta a 2008 e que, finalmente, vai sair do papel vendo, brevemente, iniciada a sua construção.

Projeto este que viu o seu desenvolvimento interrompido no ano de 2011, em plena crise financeira, tendo sido retomado já em 2018 e revisto em 2019 sendo, após concurso, adjudicada recentemente a obra de construção, em final de 2020.

Sobre este novo Hospital Central, a ATEHP realizou, em 29 de novembro de 2019, no Évora Hotel, um Workshop de apresentação do projeto em que participaram, para além de engenheiros, clínicos, gestores e administradores, os projetistas e o gabinete de arquitetura Souto Moura, autor do projeto.

Tendo em vista permitir ao leitor ficar com uma ideia geral da sua conceção e dimensão, contamos neste dossiê com seis artigos, de outros tantos conceituados especialistas em diferentes áreas e especialidades da engenharia hospitalar, desde o planeamento ao projeto de execução e especialidades, passando pelo estudo de impacto ambiental e neutralidade carbónica, assim como o consumo de oxigénio medicinal, em tempo de pandemia, e o Hospital 2021, tendo como horizonte o melhor futuro da saúde e bem-estar do cidadão.

Para além da importância e impacto que irá ter este Hospital Central para a região em que se insere, no que respeita a novas e melhores respostas de saúde junto das populações do grande Alentejo, em articulação com as unidades de saúde da região, esta nova e moderna estrutura central disporá de grande inovação tecnológica e elevada diferenciação clínica, nomeadamente ao nível do diagnóstico e terapêutica, relativamente ao atual HESE e unidades regionais que irá servir.

Neste enquadramento, temos a possibilidade de conhecer através do presente dossiê algumas das tecnologias contempladas, tais como a distribuição robotizada de produtos e consumíveis, desde a alimentação ou as roupas, passando pelos medicamentos, ou o transporte pneumático entre diversos serviços, para colheitas, amostras clínicas, medicamentos e outros, economizando tempo e recursos, ao mesmo tempo que aumenta a privacidade e segurança no transporte.  

Pretende-se que seja um Hospital paper free, dispondo das mais avançadas TIC, a fim de poder partilhar processos clínicos e informação entre serviços, bem como com outras Unidades de Saúde regionais e nacionais.

Podemos ainda constatar uma chamada de atenção relacionada com a eficiência energética e, neste âmbito, a sugestão de se proceder à reavaliação da situação, face à recente imposição legal, tendo em vista maximizar o recurso a fontes de energias renováveis, designadamente fotovoltaica, quando da construção de novos edifícios públicos.

A nossa entrevistada desta edição é a PCA do CHULC, EPE, Dra Rosa Valente de Matos, gestora sobejamente conhecida, com vasto curriculum na área da Saúde, onde tem desempenhado diversos cargos públicos, designadamente como administradora no HESE - Hospital Espírito Santo de Évora, por duas vezes, e como Vogal e posteriormente Presidente do Conselho Diretivo da ARS do Alentejo, Região onde se radicou, no exercício destes cargos, durante mais de duas décadas.

Exerceu ainda os cargos de presidente da SAUDAÇOR-Sociedade Gestora de Recursos e Equipamentos de Saúde dos Açores, e de Presidente do Conselho Diretivo da ARSLVT, tendo mais recentemente exercido as funções de Secretária de Estado da Saúde.

Além de ter mencionado, no decorrer da entrevista, o seu perfil pessoal e académico, relatou pormenorizadamente o seu percurso profissional, abordando - com saudade, especial ênfase e um certo carinho - as suas diversas missões profissionais em terras alentejanas.

Relembrando a génese do projeto do futuro novo Hospital Central do Alentejo, com investimento público apoiado por fundos europeus, no tempo em que presidiu à ARS do Alentejo, realça o enorme impacto que esta estrutura irá ter na região e na população e alguns dos desafiantes projetos em que esteve envolvida ao longo do seu trajeto profissional.

Já quando presidia à ARSLVT acompanhou também o avanço do plano para a construção do novo Hospital de Lisboa Oriental e o Hospital de Sintra, este em parceria com a Câmara Municipal.

Muitos outros temas - como o planeamento estratégico, a programação, a reforma da rede hospitalar, a integração de cuidados, os cuidados continuados integrados, a hospitalização domiciliária, o papel das autarquias, a informatização e a contratualização - foram entusiasticamente abordados nesta interessante entrevista que, seguramente, vale a pena ler.

Tanto mais que outras abordagens e dimensões holísticas fazem também parte desta agradável conversa, tais como: o trabalho de equipa, a pandemia, a crise que atravessamos, a relação médico-doente, a telemedicina, a telessaúde, os afetos e … que humanização?

Igualmente se referiu, com ênfase, ao relevante papel da ATEHP e a importância da engenharia e arquitetura de saúde, antes e durante a COVID, bem como para além do contexto pandémico, deixando um vincado alerta para a urgente necessidade de voltar a formar novos profissionais nesta importante e específica área da saúde.

Com esta edição damos início a uma nova rubrica, intitulada Crónicas da Última Página, protagonizada por um selecionado leque de cronistas, sendo que esta série é iniciada pelo autor da ideia, Engº Fernando Barbosa, anterior Diretor da TH e atual Consultor Editorial, aqui como colaborador regular, o que, face à sua experiência e veia jornalística, nos dá a garantia de virmos a desfrutar, em cada número da TH, de crónicas de superior qualidade relacionadas, fundamentalmente, com a atualidade da gestão, da engenharia e da politica de saúde nacional e internacional.

Esta primeira Crónica, que podemos ler na TecnoHospital 103 que temos em mãos, aborda, de forma original e muito interessante “os heróis da 2ª linha”. Uma oportuna e inteligente reflexão – em tempo de COVID - que vale a pena ler!

A todos os que com o seu empenho e entusiasmo colaboraram nesta edição, o nosso bem-haja.

Aos leitores da TecnoHospital, razão primeira da sua existência e nossa dedicação, votos de saúde e boa leitura.

Editorial da TecnoHospital nº103, jan/fev 2021

Abraão Ribeiro

Diretor da TecnoHospital

Se quiser colocar alguma questão, envie-me um email para aribeiro@such.pt

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