O Serviço de Instalações e Equipamentos como pilar do funcionamento hospitalar

FOTO STUDIO F22 RICARDO ROCHA/ SHUTTERSTOCK

O funcionamento eficiente e eficaz de um hospital moderno depende de muito mais do que a qualidade do ato clínico. Por detrás da atividade assistencial existe uma infraestrutura técnica complexa, intensiva em tecnologia e recursos, cuja disponibilidade, segurança e fiabilidade são determinantes para assegurar a continuidade dos cuidados de saúde. Neste contexto, o Serviço de Instalações e Equipamentos (SIE) assume um papel central na organização hospitalar.

Tradicionalmente associado à manutenção, o SIE evoluiu de forma significativa nas últimas décadas. O aumento da complexidade tecnológica dos equipamentos médicos, a exigência de funcionamento ininterrupto, o reforço dos requisitos regulamentares e de acreditação, bem como a pressão crescente sobre os custos operacionais, conduziram à sua afirmação como função estratégica. Hoje, o SIE integra competências de engenharia, planeamento, gestão de ativos, análise de risco e apoio à decisão, deixando de atuar de forma reativa para assumir uma abordagem estruturada e preventiva.

Um SIE eficaz garante que as instalações técnicas, edifícios e equipamentos médicos mantêm um elevado grau de disponibilidade, segurança e conformes/adequados ao longo de todo o seu ciclo de vida. Tal exige inventários rigorosos, planos de manutenção ajustados à criticidade dos ativos, processos normalizados de intervenção e sistemas de informação capazes de assegurar rastreabilidade, evidência e produção de indicadores de desempenho, em particular com o software de gestão de ativos conectado aos equipamentos pesados. Sem esta base, torna-se difícil garantir elevados níveis de fiabilidade operacional e controlar o impacto económico das falhas, das avarias e indisponibilidades.

A relevância da organização do SIE é particularmente evidente em unidades de grande dimensão e em grupos hospitalares, onde a escala e a diversidade tecnológica impõem modelos de atuação harmonizados. A normalização de procedimentos, a articulação entre equipas internas e prestadores externos e a monitorização sistemática da atividade são fatores críticos para uma resposta eficiente e eficaz, mesmo em contextos de crescimento e elevada exigência operacional.

Paralelamente, a digitalização da gestão da manutenção constitui um elemento decisivo de maturidade organizacional. As plataformas integradas de gestão de ativos permitem centralizar informação, suportar o planeamento, controlar custos e produzir dados fiáveis para apoio à decisão, incluindo a gestão de energia e descarbonização, tornando-se a espinha dorsal da gestão técnica hospitalar.

Importa ainda sublinhar que o contributo do SIE vai além da disponibilidade dos equipamentos. A Qualidade do Ambiente Interior — conforto térmico, visual e acústico, qualidade do ar e controlo da contaminação — é hoje um fator crítico de segurança do doente, desempenho profissional e eficiência energética. A gestão adequada destes sistemas reforça o papel do SIE como garante de qualidade e segurança.

É neste enquadramento que se insere o presente dossier da TecnoHospital, dedicado à importância do Serviço de Instalações e Equipamentos no funcionamento hospitalar, evidenciando como a engenharia hospitalar e a gestão estruturada de ativos são determinantes para responder aos desafios atuais e futuros das unidades de saúde.

Artigo publicado na TecnoHospital nº 133, janeiro/ fevereiro de 2026

Luís Marques

Chefe de Redação Adjunto

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