Qualidade do ambiente interior em unidades de saúde hospitalar: enquadramento técnico e metodologias

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No presente artigo analisam-se diversos fatores associados ao conforto ambiental, à Qualidade do Ar Interior e ao controlo da contaminação. Por fim, aborda-se o papel da ventilação mecânica como elemento fundamental na mitigação de potenciais contaminações. Independentemente da dimensão e natureza pública ou privada, o serviço de engenharia, vulgo Serviço de Instalações e Equipamentos, deve garantir o suporte ao enquadramento técnico e metodologias, da qualidade do ambiente interior nas unidades hospitalares.

Conforto

Um aspeto que é perfeitamente transversal a todos os ambientes relaciona-se com o conforto, nas suas várias vertentes.

Começando pelo conforto térmico, com obrigações legislativas no âmbito do Sistema de Certificação Energética de Edifícios, tem influência direta no bem-estar dos utentes e equipas profissionais, assim como no seu desempenho. Por definição, representa o “estado de espírito que expressa satisfação com o ambiente térmico” e tem como objetivo garantir que a temperatura central de cada uma das pessoas envolvidas é mantida aproximadamente a 37° C.

Para o desenvolvimento do modelo de relacionamento entre as várias grandezas, foi questionado um grupo alargado de voluntários sobre o seu grau de insatisfação térmica e, adicionalmente, solicitado o seu voto numa escala predefinida. Assim, para operacionalizar o objetivo identificado, existem dois aspetos que é necessário estimar: a atividade metabólica e o nível de isolamento da roupa utilizada, variando inversamente estes dois parâmetros, isto é, com uma atividade mais intensa pode-se baixar o nível de isolamento da roupa, assim como o oposto. Por outro lado, congregando os vários parâmetros a medir foram definidos dois índices, o PMV (Predicted Mean Vote) e o PPD (Predicted Percentage of Dissatisfied).

Complementarmente a estes aspetos globais que consideram o corpo como um todo, foram identificados quatro desconfortos locais: correntes de ar, diferenças de temperatura em altura, diferença assimétrica de temperatura radiante e chão quente/frio.

Uma segunda vertente relaciona-se com o conforto visual, que tem impacto nas várias atividades desenvolvidas, assim como no desempenho e segurança clínica. Para tal, estão tabelados os valores necessários para as várias atividades desenvolvidas, assim como identificados aspetos como a sua uniformidade, ofuscamento, reprodução cromática e iluminância cilíndrica em profundidade (particularmente crítico no caso de campo operatório, durante as cirurgias).

Finalmente o conforto acústico em que, para além dos valores limites e de ação definidos para o nível de exposição sonora diária (Lex,8h) e para níveis de pico (Cpico), existem níveis que afetam diretamente a concentração e o desempenho profissional em tarefas específicas. O ruído hospitalar é identificado como um dos fatores de stress ambiental, particularmente na recuperação de doentes internados. Vários estudos recomendam valores limites durante o dia e valores limites durante a noite, de modo a permitir uma melhor qualidade do sono, reduzindo a ansiedade e irritabilidade, uma mais célere recuperação dos pacientes e consequentemente uma redução dos respetivos custos associados.

Qualidade do Ar Interior (QAI)

A atual legislação sobre a QAI é transversal para uma grande variedade de tipologias de edifícios, aplicando-se de forma idêntica a edifícios como centros comerciais ou unidades hospitalares.

No presente âmbito, os Grandes Edifícios de Serviços (GES) e as Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), encontram-se sujeitos a uma avaliação simplificada anual. Esta deve incluir, no mínimo, a avaliação de dióxido de carbono (CO2) e as partículas em suspensão de dimensão PM2,5 e PM10. Adicionalmente, para efeitos de fiscalização ou avaliação voluntária da qualidade do ar interior, devem incluir adicionalmente ao atrás referido, a avaliação de Compostos Orgânicos Voláteis (COV), monóxido de carbono (CO), formaldeído (CH2O) e poluentes microbiológicos, bactérias e fungos. (...)


Autor: Francisco Brito
Unidade de Apoio à Gestão de Inovação, Investigação e Desenvolvimento (I,I&D), SUCH
Membro da Direção da ATEHP

Leia o artigo completo na TecnoHospital nº 133, janeiro/ fevereiro de 2026 dedicada ao tema "O SIE como pilar do funcionamento hospitalar"

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