Hospital alemão testa robô quadrúpede HELIA

FOTO MEDICA
João Guilherme Oliveira
O Hospital Universitário de Würzburg, na Alemanha, deu início à fase de testes operacionais do projeto HELIA, uma plataforma robótica quadrúpede de liga de alumínio desenvolvida para apoiar as rotinas de trabalho das equipas médicas e de enfermagem. A unidade de ensaio está instalada na clínica de dermatologia do hospital e visa apurar até que ponto sistemas móveis não humanoides podem desempenhar tarefas logísticas e de apoio administrativo em meio hospitalar.
A denominação HELIA resulta do acrónimo alemão para "Robô Assistente na Rotina Clínica Diária". O projeto resulta de uma parceria entre o UKW, o Instituto de Tecnologia de Karlsruhe, o Centro de Pesquisa em Tecnologia da Informação e o Centro de Pesquisa de Jülich. A iniciativa conta com um financiamento de 1,8 milhões de euros concedido pelo Ministério Federal da Investigação, Tecnologia e Espaço da Alemanha, através do programa "NLP.bot".
Especificações técnicas e modo de operação
A estrutura física do robô baseia-se no modelo comercial ANYmal, concebido pela empresa suíça ANYbotics. O dispositivo possui quatro articulações mecânicas flexíveis para deslocação e subida de degraus, apresentando uma estrutura na cor vermelha. Tradicionalmente empregue na inspeção industrial de plataformas petrolíferas, parques eólicos e unidades siderúrgicas, esta é a primeira aplicação documentada do equipamento num internamento hospitalar.
Recentemente, o equipamento recebeu a adição de um braço articulado para movimentação e manipulação de objetos. A alteração do centro de gravidade provocada por este componente exigiu o reajuste dos algoritmos de locomoção e equilíbrio dinâmico. Na fase atual de desenvolvimento, a navegação do robô é realizada por controlo remoto operado por um técnico encarregado.
O plano de desenvolvimento informático prevê a transição para um modelo de comando de voz interativo. A equipa do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe encontra-se a conceber o sistema informático denominado "Explicado-Programado-Feito!", fundado num modelo de linguagem natural. O objetivo técnico é permitir que os profissionais de saúde transmitam instruções verbais diretas, as quais serão convertidas em código de execução e aprendizagem autónoma pela plataforma robótica, dispensando a programação manual linha a linha.
Aplicações funcionais em estudo
As valências operacionais planeadas para a plataforma dividem-se em suporte logístico e assistência de informação clínica:
- Transporte e recolha de cargas: Deslocação de itens pesados, recolha de refeições e distribuição interna de suprimentos, reduzindo o esforço físico exigido aos funcionários.
- Registo de informação de saúde: Acompanhamento de rondas médicas com captação de dados de voz, transcrição de relatórios de visita e integração com o sistema de informação hospitalar.
- Apoio de diagnóstico de superfície: Captação fotográfica normalizada de lesões cutâneas e monitorização visual de feridas.
- Acompanhamento do doente: Orientação de doentes em deslocações internas para consultas e projeção de informações explicativas em ecrã próprio no quarto de internamento.
Avaliação ética, social e expetativas da equipa
A opção por uma configuração quadrúpede em detrimento de uma arquitetura humanoide responde a critérios de aceitação social. De acordo com os investigadores, o design afasta-se da estética humana para evitar o fenómeno conhecido como "Uncanny Valley" (vale da estranheza), em que réplicas humanas imperfeitas geram desconforto visual.
Os aspetos éticos, legais e sociais da introdução do robô estão a ser acompanhados pelo Centro de Pesquisa de Jülich. A análise incide na garantia da segurança física dos doentes e na avaliação do impacto do equipamento no ambiente de trabalho hospitalar, de forma a evitar disparidades no acesso aos cuidados de saúde.
A equipa médica do hospital aponta para um horizonte temporal de vários anos até que a tecnologia atinja a autonomia operacional necessária para prestação de assistência contínua e sem supervisão direta. Devido ao carácter invulgar da presença da plataforma robótica, foram afixados avisos informativos nas instalações para alertar utentes e funcionários para a realização dos testes de investigação.
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