Engenharia Hospitalar na era digital: Reinventar profissionais para um mercado que mudou

FOTO NATIONAL CANCER INSTITUTE/ UNSPLASH
O hospital como sistema ciberfísico
Quem trabalha em hospitais sabe que a aparência engana. Vemos corredores, máquinas, aquele emaranhado habitual de condutas e quadros técnicos, mas a transformação mais profunda passa ao lado de quem olha apenas para o cimento e para o aço. O curioso é que os fundamentos continuam lá, firmes como sempre, só que a natureza do hospital mudou de tecido. Hoje, esse ecossistema de saúde funciona quase como um organismo ciberfísico, em que sensores espalhados pelos cantos, algoritmos discretos, telemetria constante e plataformas de controlo convivem com caldeiras, UPS, chillers, redes industriais e uma lista interminável de dispositivos conectados.
A operação deixou de depender apenas da robustez física da infraestrutura. Agora depende tanto de software como de válvulas ou cabos. Depende de sistemas de manutenção preditiva, de dashboards que mostram tudo em tempo real, de redes industriais sensíveis a um deslize mínimo. Na prática, um engenheiro pode estar de manhã a mexer num quadro elétrico e à tarde a interpretar uma anomalia num painel de supervisão ou uma vibração estranha detetada por sensores mais atentos do que nós.
A formação clássica continua essencial, mas fica aquém
Durante muito tempo bastava um curso sólido em eletrotecnia, mecânica ou informática, mais uns anos de prática, para que alguém se afirmasse na engenharia hospitalar. Esse modelo serviu o mundo analógico. O problema é que o hospital digital, que já está aí, pede adicionais níveis de literacia.
Hoje, o engenheiro que quer acompanhar o ritmo necessita de analisar com naturalidade um esquema elétrico para uma análise de tendências num sistema SCADA. Necessita de compreender comportamento térmico, mas também perceber que um modelo de eficiência criado por analytics pode ditar decisões importantes. Deveria conhecer a ventilação de um bloco operatório, mas igualmente perceber como uma mudança num controlador pode alterar pressões e comprometer segurança.
Os alicerces continuam indispensáveis, claro. Só que já não bastam. Falta domínio digital, sensibilidade para dados, compreensão de redes industriais, noções de cibersegurança no mundo operacional, capacidade de lidar com modelos analíticos e com plataformas que engolem milhares de dados por minuto. (...)
Autor da Coluna Sistemas de Informação
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