A metrologia em saúde

A problemática da Metrologia aplicada à área da saúde constitui o tema central desta TH 77, através da publicação de um dossiê coordenado pelo nosso colega do Conselho da Redação, Engº Durão de Carvalho, Diretor do Serviço de Instalações e Equipamentos do Centro Hospitalar Lisboa Norte.

Nas palavras de uma das colaboradoras do dossiê, Eng.ª Maria do Céu Ferreira, reconhecida especialista nesta área, pretende-se «apresentar o estado da arte da metrologia na saúde, através de uma abordagem holística às metodologias e boas práticas aplicadas nesse setor da sociedade, realçando o impacto do rigor das medições nas estruturas organizacionais e na qualidade dos serviços prestados».

Noutro texto, assinado conjuntamente pela Eng.ª Maria do Céu e pelo Engº Durão de Carvalho, intitulado «A Metrologia na Manutenção Hospitalar», descreve-se com grande pormenor e qualidade expositiva a experiência acumulada no SIE- Serviço de Instalações e Equipamentos do C.H. Lisboa Norte/ H. S. Maria, no que se refere às metodologias implementadas para garantir a rastreabilidade dos instrumentos e sistemas de medição.

No mesmo dossiê publicamos também um outro trabalho de colaboração das Eng.ªs Sílvia Moutinho e Ana Luísa Silva, que desempenham funções na área da Metrologia e Gestão da Qualidade do Centro Hospitalar do Porto-EPE.

Baseadas na sua experiência nesse Centro Hospitalar, alertam para a «necessidade de implementação efetiva de medidas que desenvolvam e fomentem a cadeia metrológica no setor da saúde». Defendem ainda ser «fundamental investir, pelo menos na verificação da competência de fabricantes e seus representantes técnicos, dos laboratórios de calibração, assim como dos utilizadores dos equipamentos médicos».

O dossiê é enriquecido na sua diversidade com um artigo da Dr.ª Margarete Cardoso, especialista em Análises Clínicas do Hospital de Vila Franca de Xira, que nos relata um caso prático de gestão de equipamentos no Hospital onde trabalha. Afirma no seu texto que é «essencial garantir que os equipamentos estejam permanentemente aptos para o fim a que se destinam e contribuam para a garantia do cumprimento das especificações dos produtos e serviços».

Completa o dossiê um artigo intitulado «Evidência da adequabilidade dos equipamentos auxiliares de diagnóstico e intervenção. Abordagem metrológica», da autoria do Eng.º Luís Ferreira, do ISQ - Instituto de Soldadura e Qualidade.

Defende no seu texto que «a gestão dos equipamentos padrão usados torna-se essencial no processo de confirmação metrológica dos equipamentos médicos, a par do pessoal especializado e treinado para o efeito». Considera igualmente que «as entidades reconhecidas para este tipo de atividade têm salvaguardados todos estes pressupostos, através de auditorias anuais realizadas pela entidade reguladora».

A diversidade de formações e qualidade das experiências e intervenções dos Autores dos artigos do dossiê permitem-nos afirmar, com toda a segurança, que se trata de um notável conjunto de textos que deixamos à consideração de todos os que nos acompanham, como leitores.

O Entrevistado desta edição é o Dr. Vasco Gama Ribeiro, Diretor do Serviço de Cardiologia do C. H. V. N. Gaia/ Espinho.

Recebeu-nos amavelmente no seu gabinete no Hospital Eduardo Santos Silva, no intervalo de diversas solicitações de natureza clínica, quer por parte de utentes que o aguardavam, quer de diversos profissionais do Serviço.

O Serviço de Cardiologia do C.H.V.N. Gaia comemorou, em 2015, os 25 anos da sua Unidade de Cuidados Intensivos Coronários, tendo sido publicado, em maio de 2016, o livro «Cardiologia de Gaia - um percurso de Excelência», alusivo a essa comemoração.

Nos diversos depoimentos publicados no referido livro, fica naturalmente claro o trabalho coletivo dos diversos profissionais e órgãos de gestão que tornaram possível a evolução do Serviço. Mas ressalta igualmente o papel primordial que teve nesse processo o Dr. Vasco Gama Ribeiro, seu atual Diretor.

Durante a nossa conversa, o Dr. Vasco Gama Ribeiro traçou-nos os principais aspetos do seu percurso pessoal e profissional, que incluiu uma passagem como médico pelo serviço militar obrigatório em Angola, tendo participado no processo de descolonização daquela ex-colónia portuguesa. Saiu de Luanda de barco, com os últimos militares portugueses, na noite de 10 para 11 de novembro de 1975, data acordada com os três movimentos de libertação para a independência de Angola.

Trata-se de um ponto que aproxima o entrevistado do autor deste editorial, já que também eu tive a oportunidade de participar ativamente, como oficial miliciano, no conturbado processo de descolonização de Angola, tendo saído de Nova Lisboa, hoje Huambo, em outubro de 1975, quando declinava o império colonial português em África.

O Dr. Vasco Gama Ribeiro especializou-se em Cardiologia no Hospital de S. João e em Roterdão, Holanda. Eventualmente influenciado pela sua experiência africana, tem fomentado e participado, ao longo da sua atividade profissional, em várias ações de cooperação com diferentes países, não só os africanos de língua oficial portuguesa, como de outras origens, como é o caso da Mongólia.  

Durante a entrevista que publicamos nesta edição, o Dr. Vasco Gama Ribeiro evidenciou o papel fundamental da evolução tecnológica no processo de diagnóstico e tratamento dos utentes dos Serviços de Saúde.

Segundo ele, «cada vez mais, para auxílio do doente e para o êxito dos diagnósticos e terapêuticas, a tecnologia está no terreno», concluindo que «sem alta tecnologia não éramos capazes de tratar o tipo de doentes que tratamos hoje».

Mostra o seu «incómodo» por verificar que o seu Centro Hospitalar tem sido prejudicado financeiramente, em virtude de o cateterismo de diagnóstico e mesmo de intervenção pela artéria radial que o seu Serviço realiza, permitir que os doentes tenham alta ao fim de 3 horas e o Ministério da Saúde pagar mais aos serviços hospitalares quando houver um internamento superior a 24 horas.

A entrevista contém outros motivos de interesse, pelo que sugerimos a sua leitura.

Reiniciamos, com esta edição de setembro/outubro, a publicação de textos com caráter regular ligados à Gestão Hospitalar.

E fazemo-lo da melhor forma, através de dois colaboradores altamente qualificados, que desde o início têm sido compagnons de route da TH. Trata-se do Professor Dr. Nogueira da Rocha e do Dr. Paulo Salgado, ambos diplomados em Administração Hospitalar e com uma experiência muito valiosa, quer como profissionais, quer como dirigentes em diversos momentos do seu percurso profissional.

É uma boa notícia, que pretende trazer às nossas páginas colaborações regulares não só na área da gestão hospitalar, mas também em textos de opinião e comentários de diversos especialistas na área da Saúde, com qualidade intrínseca e disponibilidade para colocar os seus pontos de vista à consideração de quem nos lê.

A seu tempo iremos apresentando os frutos deste nosso objetivo.

Fernando Barbosa

Diretor da TecnoHospital / Engenheiro

Se quiser colocar alguma questão, envie-me um email para fernandoarbarbosa@gmail.com

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