Ensino: criada ferramenta para avaliar doentes simulados

D.R.
Seis professores, da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa (FM-UCP) desenvolveram uma escala para avaliar o desempenho de doentes simulados no ensino médico
O estudo, recentemente publicado na Medical Teacher, introduz a escala Lisbon Assessment of Simulated Patients (LASP), uma ferramenta que avalia a qualidade da representação dos doentes simulados durante os encontros clínicos e do feedback fornecido aos estudantes de medicina. Em Portugal, a Faculdade de Medicina da Universidade Católica é a única a empregar esta metodologia de forma sistematizada no currículo.
“A nova escala LASP vem reforçar um dos pilares da formação médica: a comunicação com os doentes. O resultado será um treino ainda mais eficaz de competências como a empatia, a escuta ativa e a clareza na comunicação - as chamadas soft skills -, contribuindo para a formação de uma nova geração de médicos mais preparada para uma prática centrada no doente”, afirma Paulo Oom, coordenador do Skillslab, da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa, citado em comunicado. “Sendo uma ferramenta validada, a LASP apresenta forte potencial de aplicação noutras faculdades, dentro e fora de Portugal, contribuindo para elevar os padrões de ensino médico a nível global. Inclusive, foi-nos já solicitada autorização para a tradução em mandarim, para aplicação na Universidade de Guangzhou, na China”, conclui.
Com início logo nas primeiras semanas do curso de Medicina da Universidade Católica, e por meio da realização de entrevistas com doentes simulados, os alunos treinam e desenvolvem a sua capacidade de comunicar-se com os doentes e de estabelecer uma boa relação médico-doente. O ensino está focado não apenas no que dizer, mas principalmente em como dizer (ou perguntar). Ao mesmo tempo, os alunos podem treinar a observação de doentes com instrumentos como estetoscópio, oftalmoscópio, otoscópio e martelo de reflexos, entre outros.
A nova escala LASP permite identificar, com 10 itens organizados em dois domínios - Role Play e Feedback -, pontos fortes e áreas de melhoria no desempenho dos doentes simulados. A ferramenta demonstrou elevada validade e fiabilidade, com base em 629 avaliações realizadas por 180 estudantes de medicina e 15 tutores, que avaliaram 25 doentes simulados. O estudo foi desenvolvido pelos docentes Paulo Oom, Sandra Oliveira, Leonor Bacelar-Nicolau, João Pereira, Rita Oom e Rodrigo Sousa.
Outros artigos que lhe podem interessar