Congresso vai debater uso de IA no tratamento de cancros urológicos

D.R.

Em parceria com a Clínica Universidad de Navarra, Portugal recebe, nos dias 6 e 7 de março, a primeira edição do URONEXT para discutir a aplicabilidade e o impacto da inteligência artificial e da robótica nos cancros urológicos. O evento reúne especialistas internacionais que vão assistir à transmissão em direto de uma cirurgia robótica inovadora para tratamento do cancro do rim - a Nefrectomia Parcial Robótica

David Subirá, Coordenador de Urologia do Hospital CUF Tejo, considera que “a especialização e a inovação tecnológica são os principais pilares da gestão do cancro urológico no futuro". Por isso, lidera uma parceria da CUF com a Clínica Universidad de Navarra, realizando a primeira edição do URONEXT, no Hospital CUF Tejo, conforme detalha a CUF em comunicado.

 Ao longo de dois dias, investigadores e clínicos de referência do Canadá, EUA, Espanha e Portugal vão debater o papel da inovação tecnológica nas novas estratégias de vigilância, diagnóstico e tratamento de cancros urológicos. “Queremos mostrar o que já está a mudar a prática clínica — tornando-a mais precisa, segura e personalizada, com impacto direto nos doentes”, afirma David Subirá.

“A tecnologia tem vindo a favorecer o diagnóstico precoce do cancro e a facilitar a escolha do melhor tratamento para cada doente, individualizando-o”, destaca também Bernardino Miñana, Coordenador de Urologia da Clínica Universidad de Navarra. No caso específico do cancro da próstata, o especialista, que assume a co-coordenação deste evento, sublinha que “já se aplica PET-CT PSMA como a ferramenta mais precisa para localizar o cancro e a biópsia de fusão com ressonância magnética multiparamétrica para identificar e analisar lesões suspeitas com maior rigor”. Precisamente duas temáticas sobre as quais incidirá o encontro, que reserva ainda uma sessão prática dedicada ao diagnóstico em uro-oncologia por ressonância magnética.

No campo do tratamento cirúrgico, este encontro internacional irá explorar a aplicação de programas de realidade aumentada, assim como da robótica e de terapias focais. “Estas tecnologias permitem maior precisão nos tratamentos e estão a minimizar os efeitos secundários para o doente”, enfatiza o co-coordenador do evento, David Subirá, que irá realizar a primeira demonstração ao vivo da técnica Nefrectomia Parcial Robótica (RSD), que integra o programa do evento.

“A técnica RSD permite, com apoio da robótica e da biomodelação 3D, a remoção cirúrgica do tumor do rim com uma precisão milimétrica e a sua reconstrução. Ao dispensar o uso de suturas minimiza o tempo de isquemia, garantindo que o doente não só fica livre da doença, como mantém a função renal”, explica o urologista da CUF que desenvolveu esta técnica.

O evento será ainda palco para a apresentação de novas plataformas robóticas - algumas delas ainda por introduzir na Europa - proporcionando aos participantes um contacto em primeira mão com o futuro da uro-oncologia.

Um futuro que, segundo David Subirá, se constrói não só pela partilha de conhecimento, mas também através da investigação. "Em breve, Portugal e Espanha passarão a participar no registo multicêntrico europeu JUPITER, para acompanhamento prospetivo de doentes com cancro da próstata submetidos a terapias focais. Com este passo, contribuiremos ativamente para o reforço de uma medicina baseada em evidência", avança o urologista da CUF. Para este projeto de investigação a Associação Europeia de Urologia nomeou como coordenadores os especialistas David Subirá, em Portugal, e Bernardino Miñana, em Espanha.

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